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| Arte: Françoise Nielly |
Eu sinceramente não sou assim, por toda matéria de que sou feito eu juro que nada tenho a ver com os pedaços de carne a que me atribuem. Não importa com quem eu ande, com quem eu fale ou deixe de falar, quem eu irei conhecer na próxima semana, com quem vou casar, se irei casar. Toda matéria que me forma será somente minha e só, somente eu e só. Toda ferida esculpida na casca não chega ao meu interior, ela passa e dá espaço a milhares de outras lacerações que o tempo faz questão de impor. Não sou eu, completo, que vêem por aí em qualquer situação que seja. Não me vêem, e muito menos o espelho à minha frente que revela minha identidade. Esse espelho de vidro finíssimo e invisível aos olhos desatentos.
Toda matéria de que sou feito se espalha no ar, e cada pedaço meu é vendido em prateleiras vis. Mas na prestação de contas sou um só, costurado de retalhos de vida, arrematado em fragmentos de pensar. Sou a metade escondida de quem mostra uma face metamorfoseada, face em construção, frente aos bombardeios do que é externo à alma. No mais, sou o resto de uma sensibilidade, da fraqueza reprimida que turva a vista dos que me encaram nos olhos.
HC
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sabe...que lembrei de um livro chamado neuromancer...o protagonista por causa de suas crises de abstinência tinha uma visão meio éterea da vida. De resto execlente texto sempre vou ser umm grande admirador do seu talento em expor tão boas ideias Mary Carvalho. Ass: toty
ResponderExcluirMuito interessante! Gostei. Tava com saudades dos textos do Badu. Um abração para Mary e Gildson.
ResponderExcluirApareçam tb no Intitulável.
http://caundo.blogspot.com