sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Nós, pequenas engrenagens.

Nascer, estudar, arrumar um emprego (decente), passar de 30 a 40 anos nele, juntar dinheiro, gastá-lo, se aposentar e, inevitavelmente, morrer. Vendo assim parece que nossa vida já está totalmente determinada e que pouco temos o que mudar nela. E a realidade é mais ou menos essa. Nossos caminhos já foram quase todos traçados por outras mãos que não foram as nossas. O modo como a sociedade se apresenta hoje, cada vez mais padronizada e inflexível, se parece cada vez mais com uma máquina autônoma, onde nós somos as engrenagens e nos mexemos sempre que a máquina ordena. Será que algum de vocês que estão lendo isso agora conseguem burlar ou pular alguma das etapas listadas ali acima e fazer seu próprio caminho?
Abaixo há uma poesia que fala mais ou menos disso. Espero que gostem.


Apologia a Nietzsche

Quando comecei a andar
Nem seguer procurei o caminho
Pois já havia me encontrado
Sem nem mesmo ter me perdido

[ poesia de Gildson Souza]

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Gente nova no pedaço!


Queridos leitores do blog Badulaques!


Tenho o prazer de apresentar a vocês o mais novo administrador deste espaço: Gildson Souza!

Pra quem ainda não conhece a trajetória deste rapaz por aqui, ele é um dos mais ativos colaboradores do blog, direta ou indiretamente, com textos, conversas e músicas. Por este motivo, recebeu o convite oficial para participar da administração do Badulaques!

Gildson, mocinho, seja bem vindo e boa sorte nessa empreitada. Eu e os leitores do Badulaques sabemos que ainda há muita novidade por vir!


Até o próximo post - possivelmente assinado pelo novo dono.


Badulaques aceita parcerias sim, não é ilusão, minha gente!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Nem tudo está escrito!

Estava eu ontem, num desses dias de folga inesperada, ouvindo e cantando uma música de João do Vale que particularmente gosto muito: Ouricuri, em uma versão cantada com Clara Nunes. Esta canção fala das tradições dos sertanejos, dos segredos e experiências por eles adquiridos e como, mesmo sem saber ler nem escrever, se tornam pessoas sábias e conhecedoras das artimanhas da natureza. É o que nos faz pensar a respeito dos livros, revistas e jornais, apontados como formas principais (às vezes tidas como únicas) de se obter conhecimento. No Brasil dos analfabetos, isso não acontece. Uma prova disso: o próprio cantor e compositor João do Vale era analfabeto, e até hoje é tido como ícone no mundo da música pelo seu talento.

Conversando sobre isso com Gildson Souza, o colaborador esporádico oficial do Badulaques, acabou brotando um texto no solo fértil da mente deste rapaz (uau! que poético! :P). Trouxe então pra vocês a letra da música Ouricuri, e pra quem nunca ouviu, fica a sugestão. Logo abaixo, o texto de Gildson, comentando sobre o lado social por trás dos versos de João do Vale.

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Ouricuri (O Segredo do Sertanejo)
(Composição: João do Vale/José Cândido)

Ouricuri madurou ô é sinal
Que arapuá já fez mel
Catingueira fulôro lá no sertão
Vai cair chuva granel

Arapuá esperando
Ouricuri "maduricer"
Catingueira fulôrando sertanejo
Esperando chover

Lá no sertão, quase ninguém tem estudo
Um ou outro que lá aprendeu ler
Mas tem homem capaz de fazer tudo doutor
E antecipa o que vai acontecer

Catingueira fulora vai chover
Andorinha voou vai ter verão
Gavião se cantar é estiada
Vai haver boa safra no sertão

Se o galo cantar fora de hora
É mulher dando fora pode crer
Acauã se cantar perto de casa
É agouro é alguém que vai morrer

São segredos que o sertanejo sabe
E não teve o prazer de aprender ler

Ouricuri madurou ô é sinal
Que arapuá já fez mel 

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A sabedoria além dos livros 
Por Gildson Souza

Não há duvidas que o acesso à educação seja fator determinante para a expansão do conhecimento de um indivíduo. Mas até onde a ausência de uma educação “básica”, como ler e escrever, pode impedir que alguém conheça algo ou aprenda alguma coisa?

De acordo com o Minidicionário da Língua Portuguesa, de Sérgio Ximenes, um dos possíveis sinônimos de conhecimento é erudição. De encontro a isso, João do Vale, grande músico maranhense, escreveu a música “Ouricuri”, onde ele retrata a falta de estudo do sertanejo que não aprendeu a ler. Porém, apesar disso, entende bem a realidade onde vive e “antecipa o que vai acontecer” interpretando os sinais que a natureza lhe mostra.


Sendo assim, podemos notar que há uma nítida distinção naquilo que chamamos de conhecimento. Há o acadêmico, científico aprendido nas escolas (onde se encaixa o “saber ler e escrever”) e outro mais empírico, aprendido com a experiência. E elas existem sem que uma dependa da outra, pois, com a música diz, o sertanejo “nunca teve o prazer de aprender ler”, mas nem por isso é menos sábio que o letrado.

Então, será que um analfabeto com uma “bagagem” dessa pode ser considerando ignorante? Ou melhor: o que seria a ignorância hoje?



Gostaram?

Obra: Amolação interrompida, de Almeida Júnior.

Até!


Badulaques constata: música é tudo!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

LUDO 2010: Design no quilo!


 
Atenção povo do Design e curiosos! Vem aí mais um congresso de Design, ou melhor, uma semana acadêmica, pra carimbar a cara do Maranhão no meio de tantos R's, N's e Expo's. Vem aí o LUDO 2010 - Semana Acadêmica de Design, unindo em parceria a UFMA, o UniCeuma e o IFMA \o/, com o tema "Discutindo o Mercado".
 
Por enquanto as informações estão meio assim... Digamos que... "abstratas", mas qualquer coisa é só visitar o blog e tirar as dúvidas com a Mary aqui ou com qualquer outra pessoa da comissão organizadora.


Não percam!

[Ah, o rabisco das frutas aí em cima fui eu que fiz, pra passar o tempo! ^^]

Até.

sábado, 28 de novembro de 2009

Musicando a poesia

A 3ª Feira do Livro de São Luís está uma maravilha! Como falei pra vocês neste post aqui, uma série de atrações e espetáculos estão acontecendo desde o dia 20 até amanhã, 29. E por falar em espetáculos, ontem dei uma passada por lá pra prestigiar o Celso Borges, com A Posição da Poesia é Oposição, dirigido pelo próprio.



Autor de vários livros, entre eles o Persona non grata (já comentei um poema deste livro aqui), Celso se inspira em sua última obra, o livro-CD Música, para arquitetar o esqueleto da sua apresentação. Muito mais do que poemas seus cantados/recitados acompanhados de arranjos musicais, o espetáculo de Celso revela e busca inspirar uma sensibilidade poética e artística além do comum. Bebendo desta fonte de cultura que é São Luís do Maranhão, o poeta constrói belíssimos versos, que apesar de mostrar todo seu conhecimento e embasamento literário que vai além dos limites da ilha, não procura se livrar das raízes maranhenses. Isto se faz perceber em trechos ou poemas inteiros falando da capital do Maranhão.

Apesar dos imprevistos técnicos na hora do espetáculo (como dois apagões, totalmente constrangedores), seu valor poético não foi ofuscado. Afinal de contas, não tem preço ver de perto um poeta libertando com emoção e entusiasmo seus poemas tirados do fundo de si. (Isto soou tããão instrospectivo...) Ah! E ainda por cima peguei um autógrafo! ^^

Ah, e pra finalizar, dêem uma olhada nesse vídeo do próprio Celso fazendo uma anti-homenagem a Ferreira Gullar.

Até.

Badulaques inicia sua coleção de autógrafos!